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title: Causas
description: "Os estudos têm apontado que a depressão tem causas **multifatoriais**, ou seja, a relação entre **diferentes** fatores contribui para a manifestação de uma depressão clínica, com aspectos genéticos (e epigenéticos), psicológicos e fisiológico.  Neurotransmissores Há muito tempo, em meados da…"
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updated: "2024-06-10"
category: A Depressão
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# Causas

Os estudos têm apontado que a depressão tem causas **multifatoriais**, ou seja, a relação entre **diferentes** fatores contribui para a manifestação de uma depressão clínica, com aspectos genéticos (e epigenéticos), psicológicos e fisiológico. 

             Neurotransmissores

Há muito tempo, em meados da década de 60, levantou-se a “hipótese das monoaminas”: a suspeita que a **baixa concentração** de alguns neurotransmissores (Serotonina, Dopamina e Noradrenalina) era responsável por **causar depressão**. Porém, já há décadas que os estudos vêm apontando que **não há evidências** que sustentem a afirmação de que a baixa concentração dos neurotransmissores seja capaz de causar depressão.

Apesar da redução de serotonina não ser suficiente para ser a causa direta da depressão, os estudos também apontam que o aumento dos neurotransmissores em pacientes com depressão pode **proteger áreas cerebrais** que estão atrofiadas e **produzir efeitos contrários** dos sintomas depressivos – por exemplo: se, na depressão, você tem perda de interesse e concentração, um antidepressivo pode provocar efeitos de aumento na disposição, alerta e foco.

        Crenças negativas

A depressão é sustentada por **interpretações** que a pessoa tem de si, do mundo e do futuro, gerando comportamentos e sentimentos a partir dessas interpretações. Assim, na depressão, essas crenças se dão da seguinte forma:

- **Sobre si** – Autopercepção como alguém incapaz, inadequado(a), sem valor ou indigno de amor/respeito;
- **Sobre o mundo** – Percepção do mundo como um lugar hostil e cheio de desafios insuperáveis.
- **Sobre o futuro** – Antecipação de um futuro terrível, sem perspectiva de que as coisas irão melhorar.

A **interação** entre essas visões resulta em uma pessoa que **acredita** ser **incapaz** de lidar com situações desafiadoras do **mundo** e com o próprio** sofrimento**, resultando em **desesperança** e **estagnação** em relação a vida.

Toda essa perspectiva acontece a partir de enviesamentos que uma pessoa tem. Ou seja, o indivíduo percebe e interpreta os eventos e vivências de forma **tendenciosamente** **negativa *(pessimismo)*** – formas **distorcidas** de enxergar a própria realidade.

 

Algumas dessas distorções cognitivas que contribuem para o quadro de pessimismo na depressão são:

- **Pensamento de tudo-ou-nada**: Ver situações em termos extremos, preto e branco. Palavras frequentes são: “sempre”, “todos”, “nunca”.
- **Generalização**: Tirar conclusões amplas (generalizar) a partir de eventos isolados; poucas evidências são suficientes para tirar conclusões sobre muitas pessoas ou acontecimentos.
- **Catastrofização**: Expectativa que apenas o pior possivel acontecerá, mesmo sendo extremamente improvável.
- **Personalização**: Assumir a responsabilidade (culpa) por eventos fora do seu controle.
- **Minimização e maximização**: Conquistas e aspectos positivos são minimizados e/ou considerados como sorte ou responsabilidade de outros, enquanto erros e falhas são tidos como grandiosos e de total responsabilidade da pessoa.

Seja por traumas, estilo de criação, história de vida ou cultura, a pessoa passa a desenvolver e a reforçar crenças que irão influenciar seus **comportamentos** e **pensamentos** ao longo da vida, contribuindo para o desenvolvimento de transtornos e o agravamento de quadros sintomáticos.

 

*[Se você quer saber mais sobre a **Psicologia da Depressão**, as consequências dessas distorções e como sair disso, [clique aqui](https://adepressao.com.br/docs/tratamento-psicologico/)]*

        Estresse

Em situações estressantes (estresse diário, traumas e eventos impactantes), nosso corpo libera substâncias que aumentam o *alerta*, *raciocínio *e* gasto de energia* para que ele consiga lidar com essa **ameaça **que está por vir. Uma dessas substâncias é o famoso “hormônio do estresse”, o **cortisol**. Ou seja, a liberação de cortisol é uma resposta fisiológica muito importante para a nossa sobrevivência.

Porém, a liberação **constante** de cortisol pode ser **extremamente prejudicial** ao cérebro – o que acontece no **estresse crônico**, que é quando você tem sentido ansiedade e inquietação na maior parte do tempo. Isso porque esse excesso de cortisol diário acaba afetando áreas que controlam a liberação desse hormônio. Ou seja, estar **constantemente** estressado faz com que o seu corpo libere mais cortisol do que o necessário.

A consequência desse excesso é o prejuízo em outras áreas do cérebro responsáveis por funções importantes, como **regulação emocional** e **comportamental**, **cognição,** e até mesmo a **criação** de novos **neurônios** (células do cérebro) – contribuindo tanto para a visão pessimista sobre si e o futuro, quanto para muitos sintomas da depressão.

Ainda, o estresse e ansiedade tem um impacto muito significativo na **qualidade do sono** de uma pessoa. A falta de descanso também leva ao aumento de **pensamentos negativos**, por afetar as mesmas áreas responsáveis pela regulação emocional e comportamental, assim como a capacidade de raciocínio.

Por fim, é sempre importante ter em mente que a **interpretação** do sujeito **sobre a situação** é o que irá determinar o quão estressante a situação efetivamente é.

        Genética

Estudos apontam maior frequência de depressão quando há a presença do transtorno em **parentes de primeiro grau**, sendo a probabilidade de 2 a 4 vezes maior. Porém, a complexidade da depressão não permite afirmar que genes específicos são **responsáveis** pelo transtorno, sendo dificil determinar até que medida a genética ou o ambiente influenciam nesse aumento de probabilidade.

Ainda, o modelo **diátese-estresse** afirma que diferentes níveis de estresse podem desencadear um transtorno, dependendo da predisposição genética da pessoa. Ou seja, uma pessoa com predisposição genética pode manifestar depressão com uma **menor quantidade de estresse**.

É importante enfatizar que uma mesma situação é **percebida** e **compreendida** de diferentes formas por diferentes indivíduos. Isso quer dizer que um mesmo evento não apenas provoca níveis de estresse diferente de acordo com cada indivíduo, como a predisposição em cada indivíduo também dita o quanto de estresse cada um consegue suportar até desenvolver um transtorno.

         Sistema imunológico

A depressão e o sistema imunológico têm uma relação complexa e bidirecional (um afeta o outro). A depressão deixa o corpo em um estado **pró-inflamatório**, enfraquecendo o sistema imunológico e tornando as pessoas mais suscetíveis a inflamação e outras condições (como doenças autoimunes).

É justamente por isso que o tratamento para depressão inclui [comportamentos](https://adepressao.com.br/docs/estilo-de-vida/) que melhoram não apenas a imunidade como diminuem a chance de inflamação do corpo (como exercício físico, boa alimentação e um bom sono).

Reforçando ainda mais essa hipótese, o estresse crônico também desempenha um papel na supressão (diminuição) do sistema imunológico. Assim, há uma forte relação entre estresse, sistema imunológico e depressão.

         Sistemas complexos

Transtornos da mente podem ser compreendidos como sistemas complexos: **sintomas** podem ser resultado de diferentes causas (genética, ambiental, psicológica, fisiológica), sendo que estes elementos interagem entre si de maneira complexa e de dificil previsão. Em outras palavras, um **sintoma** surge como resultado de diversos **fatores**, e cada **sintoma** também interage com diferentes **fatores** – de modo que os sintomas se potencializam e, ainda, essa interação pode gerar novos sintomas.

Por exemplo:

- **Contexto**: Trabalho.

Você está sendo pressionado(a) para entregar algum resultado no trabalho, gerando ansiedade. As noites ficam péssimas, você não consegue dormir direto.

 

- **Contexto**: Relacionamento romântico. **Sintomas**: Ansiedade, cansaço.

Por causa da ansiedade e cansaço, você fica muito mais irritado(a) e a sua cabeça fica “em outro lugar”. Por isso, a sua atenção não está voltada para a relação e as brigas começam a ficar constantes. O relacionamento com a pessoa mais importante para você está em crise.

 

- **Contexto**: Lazer. **Sintomas**: Ansiedade, cansaço, prejuízo na concentração.

Séries, filmes, leitura, esportes – parece que você não tem cabeça para nada disso, você mal consegue acompanhar um filme. Sua mente está cheia mas está difícil organizar tudo. Você não consegue aproveitar o tempo que você tem para **descansar** e **desestressar**.

 

- **Contexto**: Trabalho. **Sintomas**: Ansiedade(+), cansaço(+), prejuízo na concentração e cognição, crenças negativas.

Você está mais improdutivo do que nunca no trabalho. Seu **raciocínio** não funciona, sua **atenção** está dispersa, sua **preocupação** está em todos os lugares ao mesmo tempo. Você olha para o trabalho e tem certeza de que não vai dar conta disso. Você olha para seu relacionamento e acredita que vocês irão terminar – e é tudo por culpa sua! Você nem sente mais **vontade** de se divertir, de fazer mais nada. Você não sabe mais o que fazer. Ao que tudo indica, a sua vida está indo rapidamente em direção ao precipício.

 

- **Sintomas finais**: Ansiedade(++), cansaço(++), prejuízo na concentração e cognição, crenças negativas(+), perda de interesse e desesperança.

 

Poderíamos continuar, explorando outros sintomas e contextos. Considere que, no mundo real, há **muitos outros contextos** (relacionamento, amizades, familia, acidentes, lazer, assédio) que não só podem gerar outros **sintomas**, como os sintomas de um contexto irão **interferir** em outros contextos.

Por isso, é extremamente essencial considerar não apenas elementos isolados (sintomas), mas a relação entre as causas, vivências e as interrelações entre os sintomas para o desenvolvimento de tratamentos farmacológicos e psicológicos mais eficientes.

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